Partilha de atividades, materiais, experiências, opiniões e muito mais sobre a educação de infância. Para educadores, formadores e pais. Disponível materiais sobre formações na área

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Jul 14
UM FILHO DIFERENTE: E AGORA?

            Logo no início da gravidez os pais idealizam uma criança, fantasiando acerca do sexo do bebé, do seu sucesso futuro na escola e na sociedade, entre outros aspetos.          

          A família envolta num clima de euforia e encanto com a chegada de um filho, projeta no novo membro, todos os seus sonhos, ideais, faltas e vivências anteriores. O nascimento de um filho v...ai ocupar um lugar entre os sonhos perdidos da mãe, na medida em que aquilo que esta deseja durante a gravidez é, antes de mais nada, a recompensa ou a repetição da sua própria infância.          

         Contudo, o nascimento de uma criança “diferente” produz um choque na família. Tal acontecimento opõe-se a tudo o que foi idealizado por estes pais, é o confronto entre o “filho idealizado” e o “filho real”. Da mesma forma, uma família que com o passar do tempo se depara com o facto de o filho ter um desenvolvimento diferente do dito “normal”, irá experienciar uma explosão de sentimentos, tais como, confusão, choque, angústia, revolta, frustração e medo.          

          Desde a comunicação do diagnóstico à perceção do maior ou menor grau de gravidade da situação, as famílias de crianças especiais iniciam um processo de luto, variável em temporalidade e forma, segundo a reação e assimilação de cada um dos seus membros. Este processo de luto do bebé idealizado acontece em três fases sequenciais (Solnit e Stark, 1961):

1. Fase inicial de apatia e incapacidade de acreditar no que aconteceu;

2. Fase de desapontamento e de sentimentos de perda com sintomas físicos e emocionais;

3. Fase final de dor, em que se reexperimentam memórias e expetativas que vão desaparecendo.         

           O luto do “filho idealizado” tende a estender-se durante um período considerável de tempo, variando de caso para caso. Na fase inicial de negação do processo de luto, o comum é os pais não aceitarem as diferenças do filho.                      

          Fazendo uma analogia com o texto de Emily Perl Knisley (“Bem vindo à Holanda”), o luto só é feito quando esta viagem é completada e a família pode finalmente apreciar as coisas belas e muito especiais deste lugar.           

         Todos juntos (educadores / professores, pediatras, terapeutas, amigos e familiares,…) devemos ajudar estes pais a fazer o luto, para assim acreditarem novamente no amor de pais e reinventarem novas expetativas perante as que perderam.



   "A vida ensinou-me que quanto mais cedo aceitarmos a diferença, mais fácil e mais rápido tiramos frutos disso” (Testemunho de uma mãe in Gomes, 2007).


Fátima Pires Gomes, 09 de julho de 2014,  in https://www.facebook.com/ProfEducEspecialFatimaGomes



publicado por obaudoeducador às 07:49

2 comentários:
E quando nascem sem problemas e depois DE 10 anos DE sua vida ficam diferentes derivado a um problema DE saude como lidar com esta dor
ana vieira a 31 de Julho de 2014 às 11:25

Como entendo a sua dor! Alguns alunos que tenho apoiado nas escolas foi derivado a situações semelhantes. Acompanhei desde o início algumas crianças na mesma situação e sei como os pais passam por um "luto" difícil. A dor é grande, só um amor ainda maior pelos filhos consegue suportá-la e encontrar forças quando julgamos deixar de as ter. Só o tempo ajudará, contudo nalguns casos alguns pais precisam de ajuda de um profissional especializado (ex: médico, psicólogo,...), toda a ajuda é bem vinda e se precisar dela não hesite em procurar, pois nem todos vivemos o "luto" da mesma forma.
Falar, desabafar, já é um bom começo!

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